Capítulo 7 - O Chamado de Noé – Parte 1
Lívia virou mais algumas páginas do diário com cuidado. A letra do explorador mudava levemente, como se o coração dele tivesse pesado ao escrever aquele trecho. No topo da página, lia-se:
“Relato de um tempo em que a terra chorava.”
Ela aproximou a lupa e começou a leitura.
“Houve um tempo em que a terra estava cheia de pessoas, mas vazia de bondade. Os homens se multiplicaram, construíram cidades e ficaram famosos, porém esqueceram-se do Criador.”
“A violência espalhou-se como poeira ao vento. Os pensamentos do coração humano eram maus desde cedo, e a injustiça passou a ser algo comum.”
“Vi homens fortes e valentes, conhecidos por todos, mas que usavam sua força para ferir, e não para proteger.”
Lívia franziu a testa. Aquilo parecia triste demais.
“O Senhor viu tudo isso. Viu a maldade crescendo e o sofrimento se espalhando pela terra. Seu coração se entristeceu, pois aquilo não era o propósito para o qual havia criado o ser humano.”
A menina sentiu um aperto no peito. Mas, logo, o diário continuava:
“Em meio a tantos caminhos corrompidos, havia um homem diferente.”
“Seu nome era Noé.”
Lívia sorriu ao reconhecer o nome.
“Noé andava com Deus. Enquanto muitos ignoravam a voz do Senhor, ele escolhia ouvir. Enquanto a violência dominava, ele vivia com justiça.”
“Deus olhou para Noé com graça e decidiu confiar-lhe uma missão.”
Ela virou a página lentamente.
“O Senhor falou com Noé e disse que a terra seria purificada, pois estava cheia de violência. Mas prometeu preservar a vida.”
“Ordenou que Noé construísse uma grande arca, feita de madeira resistente, com compartimentos e espaço suficiente para sua família e para os animais.”
Lívia arregalou os olhos.
“Deus explicou cada detalhe: o tamanho, a forma, a porta, a janela, os andares. Disse que viria um grande dilúvio, mas também fez uma promessa.”
‘Contigo estabelecerei a minha aliança’, disse o Senhor.”
A leitura continuava:
“Noé ouviu tudo com atenção. Não discutiu. Não duvidou. Mesmo sem nunca ter visto chuva como aquela que Deus anunciava, ele confiou.”
“E assim começou a maior obra de obediência que já testemunhei.”
Lívia fechou o diário por um instante.
— Então foi assim… — murmurou. — Deus escolheu alguém que O ouvia.
Ela entendeu que aquela não era apenas uma história sobre uma arca ou um dilúvio. Era sobre obedecer mesmo quando ninguém mais obedece, confiar quando tudo parece estranho e andar com Deus em meio a um mundo confuso.
E o diário, mais uma vez, parecia falar diretamente com ela.


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